segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Poder nas mãos...

Nunca fui de me preocupar muito com isso, mesmo quando morei sozinha. Ele ficava ali, jogado ao lado da cama, embaixo do travesseiro ou até do lado da TV mesmo, sem utilidade.
Quando me casei, comecei a notar que ele encontrara alguém que o adorava, que queria ter este poder em suas mãos o tempo todo. Como nunca liguei muito pra isso, deixei pra lá.
De uns tempos pra cá, estou me afeiçoando a ele, meio devagar, mas começo a gostar dessa história. Às vezes o procuro, não encontro. Noutras, o vejo nos braços dele, ou melhor, nas mãos dele. Já vou logo pedindo de volta, digo "é meu", e pronto.
Os homens, machistas que são, acham que ele pode ser apenas seu.
Discordo.
Pode e deve ser meu também. Mais meu do que seu...
Afinal, somos grandes amigos agora... rs...rs...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

30 de Janeiro: Dia da Saudade

Não me canso de gostar das palavras de Vinícius de Moraes nessa lindo texto.
E como hoje é o Dia da Saudade, nada mais justo que postar algo sobre esse sentimento que é uma mistura de dor e alegria no coração de quem o sente.


Saudade...
(Vinícius de Moraes)

Um dia a maioria de nós irá se separar.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano. Enfim, do companheirismo vivido.

Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar. Quem sabe, nos e-mails trocados...

Podemos nos telefonar, conversar algumas bobagens...
Passarão dias, meses, anos... Até este contato tornar-se cada vez mais raro.
Vamos nos perder no tempo...

Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos.

A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
E isso vai doer tanto...

Quando o nosso grupo estiver incompleto nos reuniremos para um último adeus de um amigo.
Entre lágrimas, nos abraçaremos.
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.

Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida isolada do passado.
E nos perderemos no tempo mais uma vez.

Por isso, fica aqui um pedido desta humilde amiga:
Não deixe que a vida passe em branco e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

“Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos”.


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Tudo que é pago é mais gostoso...

Tá, tudo bem, eu sei que o ditado é meio diferente, mas tenho observado isso nas minhas idas aos supermercados de Belo Horizonte nas últimas semanas. Lembram da proibição de sacolas plásticas em supermercados, padarias etc em diversas capitais do Brasil, incluindo BH? Pois é... Durou pouco.
As pessoas reclamaram, mas se adaptaram, compraram sacolas retornáveis, aderiram às caixinhas de papelão, cada um dava seu jeito. Quando não tinham nenhuma destas opções, compravam a sacolinha dos R$ 0,19 e pronto! Mas a maioria lembrava de levar a sacola retornável. O meio ambiente agradecia. Uma sacolinha a mais ou a menos parece pouca coisa, mas... O oceano é feito de gotas, não é?!
Daí, ano passado a venda das sacolinhas foi proibida e lá vem mudança de novo. Quem se esquecia da sacola retornável, ou não encontrava caixinha de papelão, não tinha mais a opção de comprar a sacolinha, mas todo mundo continuava se ajeitando. Até que um belo dia, elas voltam a ser distribuídas gratuitamente em SP, mas em BH também.
Pronto, aí está o brasileiro folgado de novo! Supermercados cheios de caixinhas de papelão e ninguém as quer de volta. Nunca mais o brasileiro se lembra de levar a bendita sacola retornável às compras e o consumo das sacolinhas biodegradáveis aumenta estrondosamente! Por quêêê? Me fala!
Ah pára!!! Depois reclamam das enchentes, dos governos, de tudo! Infelizmente brasileiro é muito "reclamão" demais da conta! (é... exagerei mesmo!) Credo! Faz a sua parte, pelo menos. Leva a sacolinha que há mais de um ano já fazia parte das suas compras semanais. Mas nããããooo!!! Esquece!!! Aff!
Ontem mesmo fui ao mercado próximo da minha casa, com minha sacola retornável (diga-se mais prática do que aquele monte de sacolinhas). A sacolinha gratuita tinha acabado (aí as caixinhas de papelão também, óbvio!) e o rapaz que estava depois de mim na fila já ia choramingando que não tinha como levar as compras. Não aguentei... Com um sorriso sarcástico no rosto, tive que falar com ele: "desacostumou de trazer a sacola, né?!"...
Não tem jeito, o povo reclama, reclama, mas sempre vai achar que pagando é mais gostoso...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Quero envelhecer...

Hoje peço permissão para escrever duas vezes...
Acredito que sentimentos podem ser verbalizados, então, me darei a esse luxo.

Acho que ainda não tenho nenhum fio de cabelo branco, bom, pelo menos se tiver, a tintura o esconde muito bem. Certa vez, uma colega de trabalho até me disse que toda "velha" deve ficar loira para que os fios brancos se misturem aos dourados e confundam quem os vêem. Engraçado, da última vez que tingi os cabelos, puxei uns fios dourados e depois cobri de vermelho, mas logo o vermelho desbotou e eles ficaram mais claros que o normal. Não me importo. Gostei do jeito que ficou. Mas esse assunto não é o meu foco de agora, apesar de fazer todo o sentido pra mim contar isso a vocês.
Pensando na simplicidade das coisas é que hoje resolvi deixar bem claro que quero ficar velha sim. Não velha do tipo que se joga fora, mas velha que ainda vive e curte a vida do jeito que ela permitir.
Quero poder envelhecer ao lado daquele eu amo e de quem ainda vou amar um dia. Se não amo, é porque ainda não nasceu, mas virá, eu sei.
Quero conseguir superar possíveis perdas irreparáveis, com a tranquilidade de quem fez tudo o que pôde para alegrar a vida dos que irão antes de mim.
Quero sorrir quando lembrar do dia de hoje e pensar quanta coisa maluca eu escrevia e o quanto as pessoas deveriam zombar de mim por isso.
Quero ter tempo suficiente pra relembrar os amigos de infância, adolescência e de toda a vida, e espero que muitos destes continuem meus amigos na velhice.
Mas quero ter a certeza de que me doei completamente à vida em felicidade, mesmo nos momentos de tristeza, de sofrimento. Pois para os momentos de dor, sempre poderá haver um amanhã, apesar de que, como diria Renato Manfredini Junior, "na verdade não há".
Viver um dia de cada vez. Pensar no amanhã? Sim, mas sem tanta ansiedade.
Apenas viver. Acho que assim pode ser mais gostoso.


Luto por Santa Maria - RS

Acredito que o termo "muito triste" é pouco para descrever a tragédia deste fim de semana.


Aos que perderam amigos e familiares, que Deus conforte o coração e diminua a dor...
Aos que se foram, que estejam junto Dele (Deus) e descansem em paz...
Aos sobreviventes, que consigam superar este drama em suas vidas...
Às autoridades responsáveis e aos donos de boates, que revejam suas responsabilidades em manter ambientes descontraídos, com segurança para que a vida não se perca numa festa...
E a todos nós, que possamos voltar nossas orações aos que sofrem esta grande perda...

Infelizmente, só aprendemos certas coisas quando algo terrível acontece...

De hoje em diante, e me incluo nisso, que tenhamos o cuidado de observar os bares e casas de festa que frequentamos nos finais de semana, para que depois de uma noite de alegria possamos voltar pra casa com boas histórias pra contar, e não fazer parte de uma tragédia como a deste último fim de semana...



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Releitura: Gente feliz e boazinha...

Agora me conta uma coisa: quem nunca participou de reuniões ou almoços com colegas de trabalho em que todo mundo fica demonstrando uma felicidade tremenda de trabalhar naquela empresa, uma vontade louca de dar lucro pro chefe que vai dizer ao diretor que o lucro é um prodígio seu e bla bla bla? Pois bem, quero falar um pouco disso hoje.
Há alguns meses atrás eu vivi muito disso e um colega me dizia: "detesto gente feliz e boazinha". Eu me divertia muito quando ele dizia isso porque era exatamente isso que eu sentia nas 8 horas diárias que vivia. Não vamos ao extremo, calma. O que eu quero dizer aqui é que o mundo é moderno demais pra você ficar fingindo uma felicidade e uma bondade que não tem. Seja verdadeiro, honesto consigo mesmo e com os outros. Se no seu trabalho você está rodeado de pessoas muito felizes e muito boazinhas, pode ser que estejam à base de entorpecentes ainda proibidos no mercado. Não dá pra estar com um sorriso bobo na cara o dia todo. Não que você tenha que ser um "reclamão" em pessoa. Apenas seja você. Profissional o suficiente pra perceber que seu patrão quer que você dê lucro pra empresa sim, mas que você não precisa viver um personagem durante as 8 horas de todos os 22 dias úteis do mês. Que coisa!
Na reunião com a diretoria todo mundo sorrindo...
No cafezinho só com os funcionários todo mundo reclamando...
Ironias fúteis!
E sabe o que me impressiona? É que há mais de 8 anos atrás eu falei sobre isso (clique aqui) e hoje percebo que as pessoas ainda continuam fingindo as mesmas coisas, enquanto tantas mudanças já aconteceram...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Amantes...

O que ela poderia dizer daquele dia? Acordou com preguiça de abrir os olhos, fez um esforço tremendo para levar os cílios em direção às sobrancelhas mas eles se recusavam a se separar, queriam ficar coladinhos, bem assim, como passaram a noite. Ela e ele também passaram a noite assim, coladinhos, depois daquele jantar maravilhoso com algumas taças de vinho pra acompanhar.
Ela se preparou o dia inteiro, cremes por todo o corpo, cabelo encaracolado num penteado despenteado. Vestido discreto, mas sensual, do jeito que ele gosta, com pequenos detalhes em transparência pra chamar a atenção do homem que espera.
Ele, com a barba cerrada, jeans e camiseta branca, não precisa mais que isso. Seu cheiro já vale por tudo e completa os desejos dela. Entra pela porta com um botão de rosa vermelha numa das mãos e a garrafa de vinho na outra.
Conversam sobre muitas coisas, sobre o primeiro beijo que, inusitadamente, ela não se lembra muito bem, mas ele sim, não esquece. Não que tenha sido em situação especial, mas algum cupido não o deixou esquecer. Falam das risadas que já deram juntos de tanta coisa, de tanta gente. E riem de novo. Numa dessas gargalhadas ele a pega pela cintura e lhe rouba um beijo. Como se ela não quisesse, beijo roubado é mais gostoso. Ela vai se deixando levar pela embriaguez do vinho e pelo cheiro da pele dele e os beijos vão ficando mais quentes, demorados, molhados. Os corpos se sentem tão próximos como da primeira vez que se amaram. Luz de velas, quarto pequeno, colchão no chão. Agora belos lustres, casa na praia, lençóis de cetim.
A noite foi maravilhosa, poderia até dizer perfeita. Por que não?
Bom, mas agora é dia, o sol já vai alto no céu e o mar te chama. Um "toc toc" na porta e agora sim, os cílios se descolam e ela abre os olhos pra ver aquele que a amou novamente por mais esta noite. Levanta-se e dá-lhe um beijo pra começarem bem o dia. Tomam o café da manhã juntos vendo a praia pela janela e não resistem a ela. Saem descalços a caminhar na areia branca que é beijada pelas ondas do mar. E por ali ficam por todo o dia, namorando, como se não houvesse mundo além deles.
Amantes, apaixonados, namorados. Um encontro entre marido e mulher.