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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Quero envelhecer...

Hoje peço permissão para escrever duas vezes...
Acredito que sentimentos podem ser verbalizados, então, me darei a esse luxo.

Acho que ainda não tenho nenhum fio de cabelo branco, bom, pelo menos se tiver, a tintura o esconde muito bem. Certa vez, uma colega de trabalho até me disse que toda "velha" deve ficar loira para que os fios brancos se misturem aos dourados e confundam quem os vêem. Engraçado, da última vez que tingi os cabelos, puxei uns fios dourados e depois cobri de vermelho, mas logo o vermelho desbotou e eles ficaram mais claros que o normal. Não me importo. Gostei do jeito que ficou. Mas esse assunto não é o meu foco de agora, apesar de fazer todo o sentido pra mim contar isso a vocês.
Pensando na simplicidade das coisas é que hoje resolvi deixar bem claro que quero ficar velha sim. Não velha do tipo que se joga fora, mas velha que ainda vive e curte a vida do jeito que ela permitir.
Quero poder envelhecer ao lado daquele eu amo e de quem ainda vou amar um dia. Se não amo, é porque ainda não nasceu, mas virá, eu sei.
Quero conseguir superar possíveis perdas irreparáveis, com a tranquilidade de quem fez tudo o que pôde para alegrar a vida dos que irão antes de mim.
Quero sorrir quando lembrar do dia de hoje e pensar quanta coisa maluca eu escrevia e o quanto as pessoas deveriam zombar de mim por isso.
Quero ter tempo suficiente pra relembrar os amigos de infância, adolescência e de toda a vida, e espero que muitos destes continuem meus amigos na velhice.
Mas quero ter a certeza de que me doei completamente à vida em felicidade, mesmo nos momentos de tristeza, de sofrimento. Pois para os momentos de dor, sempre poderá haver um amanhã, apesar de que, como diria Renato Manfredini Junior, "na verdade não há".
Viver um dia de cada vez. Pensar no amanhã? Sim, mas sem tanta ansiedade.
Apenas viver. Acho que assim pode ser mais gostoso.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Amantes...

O que ela poderia dizer daquele dia? Acordou com preguiça de abrir os olhos, fez um esforço tremendo para levar os cílios em direção às sobrancelhas mas eles se recusavam a se separar, queriam ficar coladinhos, bem assim, como passaram a noite. Ela e ele também passaram a noite assim, coladinhos, depois daquele jantar maravilhoso com algumas taças de vinho pra acompanhar.
Ela se preparou o dia inteiro, cremes por todo o corpo, cabelo encaracolado num penteado despenteado. Vestido discreto, mas sensual, do jeito que ele gosta, com pequenos detalhes em transparência pra chamar a atenção do homem que espera.
Ele, com a barba cerrada, jeans e camiseta branca, não precisa mais que isso. Seu cheiro já vale por tudo e completa os desejos dela. Entra pela porta com um botão de rosa vermelha numa das mãos e a garrafa de vinho na outra.
Conversam sobre muitas coisas, sobre o primeiro beijo que, inusitadamente, ela não se lembra muito bem, mas ele sim, não esquece. Não que tenha sido em situação especial, mas algum cupido não o deixou esquecer. Falam das risadas que já deram juntos de tanta coisa, de tanta gente. E riem de novo. Numa dessas gargalhadas ele a pega pela cintura e lhe rouba um beijo. Como se ela não quisesse, beijo roubado é mais gostoso. Ela vai se deixando levar pela embriaguez do vinho e pelo cheiro da pele dele e os beijos vão ficando mais quentes, demorados, molhados. Os corpos se sentem tão próximos como da primeira vez que se amaram. Luz de velas, quarto pequeno, colchão no chão. Agora belos lustres, casa na praia, lençóis de cetim.
A noite foi maravilhosa, poderia até dizer perfeita. Por que não?
Bom, mas agora é dia, o sol já vai alto no céu e o mar te chama. Um "toc toc" na porta e agora sim, os cílios se descolam e ela abre os olhos pra ver aquele que a amou novamente por mais esta noite. Levanta-se e dá-lhe um beijo pra começarem bem o dia. Tomam o café da manhã juntos vendo a praia pela janela e não resistem a ela. Saem descalços a caminhar na areia branca que é beijada pelas ondas do mar. E por ali ficam por todo o dia, namorando, como se não houvesse mundo além deles.
Amantes, apaixonados, namorados. Um encontro entre marido e mulher.