quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Antes das 9 horas...

Não sei. Mas ela acorda todo dia antes das 7 horas da manhã e, como num ritual, faz de conta que não precisa ir trabalhar, pensa em como seria esse dia, mas ainda em tempo se dá conta de que é preciso se levantar. Pronto. Abra os olhos de verdade e se levanta preguiçosamente, pensa de novo, mas vai. Vai ao banheiro, se olha no espelho, descabelada, tenta se arrumar, como se fosse a um encontro com alguém ali, na cozinha mesmo, que é o segundo lugar da casa que vai. Olha pro cesto de roupa suja e já vai logo colocando tudo na máquina de lavar. Afinal, à noite não daria tempo. Melhor, até daria, mas não queria. Não queria ter tantos afazeres, tantas responsabilidades. Enfim, continua.
Hora do banho, com fome, mas hesita em tomar café antes disso tudo. É melhor se apressar, porque o trânsito não deve estar nada bom, como sempre. Banho rápido, sem mais demoras. Se for lavar o cabelo é melhor se apressar ainda mais. Ela termina o banho, sai do chuveiro, sente o frio do banheiro de portas abertas. O que? Não! Não tem problema, ele está dormindo ainda. Ou mesmo se estiver acordado já sabe exatamente como são todas as suas curvas.
Vai para o quarto, pensa rápido em uma roupa e veste logo. A fome aumenta. Hora do café, agora sim. Come sem degustar demais, senão se atrasa. Dentes escovados, maquiagem feita, brincos nas orelhas. Relógio, anel, sapato e bolsa. Pronto. Rumo ao trabalho. Ônibus lotado ou carro e ar condicionado. Não importa, o que chegar primeiro ela topa. Muita poeira na rua, muito barulho lá fora. É o dia começando quente, mesmo em dias frios.
Se vai de carro é uma tortura. Procura, procura e nem sempre acha. A vaga. Paga estacionamento. Melhor do que a multa. Se vai de ônibus não tem tanto problema, só quando está cheio, quase todo dia. A volta é pior, seja de ônibus ou de carro, a volta é sempre pior. Não entende por que tanta gente vai de carro trabalhar, se todo mundo fosse de ônibus talvez tudo fosse melhor. Menos carros nas ruas, trânsito mais livre. Ou não. Todos iriam de ônibus, estes sempre lotados, muitos ficariam pra trás. Difícil escolha. O melhor mesmo é que os ônibus fossem gigantes, de dois andares, com ar condicionado e música ambiente. Isso. Perfeito. Transporte perfeito. E mais! Eles poderiam fazer certos atalhos, nas beiras das favelas, em ruas e ruelas. Com muito cuidado, é claro. Certa vez ela, desta vez, de carro, fez este desvio. Susto. Manifestação da comunidade. Bandeiras de caveiras, microfones e um grupo de gente exigindo o direito de ser tratado como gente. Nem todo mundo que mora na favela é bandido. Mas ela ia lá saber quem era bandido ou não naquela turma? Ficou com medo sim, com medo de resolverem quebrar os carros passando pra mostrar sua força. Ufa! Passou. Passou o carro, o ônibus, o mendigo, o drogado. Não falei deles? Ficam num certo viaduto fumando crack o dia todo. Vício maldito! Um dia há de ser derrotado. Será?
Chega ao trabalho, passa pela porta, entra e diz bom dia. Pra ele, pra ela, pro chefe, pra copeira. Começa o dia. Mas isso é outra história...

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