Quando a pétala caiu do caule daquela rosa, lentamente, como as gotas de orvalho de todos os dias, quase deixei cair uma lágrima do canto dos olhos. Não pela queda, mas pela rosa, que perdera um pedaço de si. Ou talvez tenha sido pela queda sim. Imagine só quando ela começa a se desprender da rosa, aquela que surgiu única, um simples botão, bem fechado, miúdo e singelo. Aos poucos foi ficando mais cheio, cheio de amor, carinho, emoção. Paixão. Sim, a rosa tem paixão, sempre teve. E os espinhos, são como as lágrimas de um coração partido. Os espinhos das rosas são as lágrimas dos apaixonados. A pétala que cai pode ser apenas uma mágoa que se foi, ou um tesão que não mais se sente. Ela se desprende da rosa e simplesmente cai no chão e fica lá. Sozinha, abandonada, desamparada. O coração? Continua o mesmo, talvez um pouco mais frio, mas o mesmo. O mesmo que amou e ainda ama. O mesmo que sorri e chora. Aquele estranho que se apaixona e sofre. Assim é o que fica da rosa, quando uma de suas pétalas se vão.
Cada um de nós é uma rosa, ou um botão. Uns já estão completos, cheios de amor e felicidade. Ou pelo menos assim pensam estar. Outros ainda incompletos, em busca da felicidade, desse amor tão falado nos filmes. Mas todos tem pétalas que vão se abrindo uma a uma, de forma a trazer vários bons momentos. E cada um de nós tem também seus espinhos. Estes são suas dores, suas mágoas, seus rancores.
Mas e ela? A pétala caída. Alguém se lembra? Não. Porque o vento a levou pra longe daqui, afinal, ela agora etá sozinha e não mais pertence àquela rosa. Pertence ao chão, somente. Daqui a pouco será apenas uma pétala seca, sem brilho, sem amor, sem paixão.