terça-feira, 14 de agosto de 2012

A pétala...

Quando a pétala caiu do caule daquela rosa, lentamente, como as gotas de orvalho de todos os dias, quase deixei cair uma lágrima do canto dos olhos. Não pela queda, mas pela rosa, que perdera um pedaço de si. Ou talvez tenha sido pela queda sim. Imagine só quando ela começa a se desprender da rosa, aquela que surgiu única, um simples botão, bem fechado, miúdo e singelo. Aos poucos foi ficando mais cheio, cheio de amor, carinho, emoção. Paixão. Sim, a rosa tem paixão, sempre teve. E os espinhos, são como as lágrimas de um coração partido. Os espinhos das rosas são as lágrimas dos apaixonados. A pétala que cai pode ser apenas uma mágoa que se foi, ou um tesão que não mais se sente. Ela se desprende da rosa e simplesmente cai no chão e fica lá. Sozinha, abandonada, desamparada. O coração? Continua o mesmo, talvez um pouco mais frio, mas o mesmo. O mesmo que amou e ainda ama. O mesmo que sorri e chora. Aquele estranho que se apaixona e sofre. Assim é o que fica da rosa, quando uma de suas pétalas se vão.
Cada um de nós é uma rosa, ou um botão. Uns já estão completos, cheios de amor e felicidade. Ou pelo menos assim pensam estar. Outros ainda incompletos, em busca da felicidade, desse amor tão falado nos filmes. Mas todos tem pétalas que vão se abrindo uma a uma, de forma a trazer vários bons momentos. E cada um de nós tem também seus espinhos. Estes são suas dores, suas mágoas, seus rancores.
Mas e ela? A pétala caída. Alguém se lembra? Não. Porque o vento a levou pra longe daqui, afinal, ela agora etá sozinha e não mais pertence àquela rosa. Pertence ao chão, somente. Daqui a pouco será apenas uma pétala seca, sem brilho, sem amor, sem paixão.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Antes das 9 horas...

Não sei. Mas ela acorda todo dia antes das 7 horas da manhã e, como num ritual, faz de conta que não precisa ir trabalhar, pensa em como seria esse dia, mas ainda em tempo se dá conta de que é preciso se levantar. Pronto. Abra os olhos de verdade e se levanta preguiçosamente, pensa de novo, mas vai. Vai ao banheiro, se olha no espelho, descabelada, tenta se arrumar, como se fosse a um encontro com alguém ali, na cozinha mesmo, que é o segundo lugar da casa que vai. Olha pro cesto de roupa suja e já vai logo colocando tudo na máquina de lavar. Afinal, à noite não daria tempo. Melhor, até daria, mas não queria. Não queria ter tantos afazeres, tantas responsabilidades. Enfim, continua.
Hora do banho, com fome, mas hesita em tomar café antes disso tudo. É melhor se apressar, porque o trânsito não deve estar nada bom, como sempre. Banho rápido, sem mais demoras. Se for lavar o cabelo é melhor se apressar ainda mais. Ela termina o banho, sai do chuveiro, sente o frio do banheiro de portas abertas. O que? Não! Não tem problema, ele está dormindo ainda. Ou mesmo se estiver acordado já sabe exatamente como são todas as suas curvas.
Vai para o quarto, pensa rápido em uma roupa e veste logo. A fome aumenta. Hora do café, agora sim. Come sem degustar demais, senão se atrasa. Dentes escovados, maquiagem feita, brincos nas orelhas. Relógio, anel, sapato e bolsa. Pronto. Rumo ao trabalho. Ônibus lotado ou carro e ar condicionado. Não importa, o que chegar primeiro ela topa. Muita poeira na rua, muito barulho lá fora. É o dia começando quente, mesmo em dias frios.
Se vai de carro é uma tortura. Procura, procura e nem sempre acha. A vaga. Paga estacionamento. Melhor do que a multa. Se vai de ônibus não tem tanto problema, só quando está cheio, quase todo dia. A volta é pior, seja de ônibus ou de carro, a volta é sempre pior. Não entende por que tanta gente vai de carro trabalhar, se todo mundo fosse de ônibus talvez tudo fosse melhor. Menos carros nas ruas, trânsito mais livre. Ou não. Todos iriam de ônibus, estes sempre lotados, muitos ficariam pra trás. Difícil escolha. O melhor mesmo é que os ônibus fossem gigantes, de dois andares, com ar condicionado e música ambiente. Isso. Perfeito. Transporte perfeito. E mais! Eles poderiam fazer certos atalhos, nas beiras das favelas, em ruas e ruelas. Com muito cuidado, é claro. Certa vez ela, desta vez, de carro, fez este desvio. Susto. Manifestação da comunidade. Bandeiras de caveiras, microfones e um grupo de gente exigindo o direito de ser tratado como gente. Nem todo mundo que mora na favela é bandido. Mas ela ia lá saber quem era bandido ou não naquela turma? Ficou com medo sim, com medo de resolverem quebrar os carros passando pra mostrar sua força. Ufa! Passou. Passou o carro, o ônibus, o mendigo, o drogado. Não falei deles? Ficam num certo viaduto fumando crack o dia todo. Vício maldito! Um dia há de ser derrotado. Será?
Chega ao trabalho, passa pela porta, entra e diz bom dia. Pra ele, pra ela, pro chefe, pra copeira. Começa o dia. Mas isso é outra história...

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Sem rumo...

Há muito não escrevo, mas também não penso, apenas vou no piloto automático da vida e acabo me esquecendo de mim. Hoje estou de volta, não sei por quanto tempo, por quantos minutos, nem sei se termino este post. Mas o que quero dizer é que a vida é muito mais que isso.
A vida é muito mais do que, simplesmente, abrir e fechar os olhos sem ao menos sentir o dia e a noite, sem sentir um abraço apertado de alguém que se ama. Ou então sem sorrir, perceber sorrisos, se emocionar. As contradições e as peças que a vida nos prega são cada vez mais confusas de entender. Aquela menina que um dia queria apenas aprender a andar e a falar, agora tem milhões de outras obrigações e às vezes nem sente mais aquela vontade de andar ou falar, apenas deitar-se na cama, no quarto com a TV ligada em volume bem baixinho, sem prestar atenção ao que se vê. Sequer está vendo algo, apenas olhando para não sei onde, pensando em não sei o que.
Não sei bem explicar, mas acredito que muitos dos que irão ler esta baboseira aqui vão saber do que eu estou falando. Vão saber que a vida da gente é curta demais e se torna cada vez mais curta quando não aproveitamos os bons momentos dela.
Meu pescoço dói. Meu corpo cansa. Minha mente não raciocina mais. Mil ideias se movimentando no meu cérebro, mas são ideias soltas, sem rumo, sem nexo. Não há com o que se preocupar. Hoje é sexta-feira! Ah tá! Eu que não acorde bem cedo amanhã pra continuar estudando não. Hoje não foi possível ir. Não tive condições. Acho que ainda não estou em condições. Agora vai ser aguentar uma nota mais baixa porque só vou entregar o trabalho amanhã. Enfim. Tudo bem. Eu consigo. São apenas mais uns meses.
Agora já é hora de parar. Preciso descansar pra começar amanhã de novo. O que eu queria mesmo é acordar sem horário, ver um filme, comer pães de queijo e curtir o meu amor. Só isso. Mas não! Não vai dar! Vou acordar (atrasada, provavelmente), levantar e me arrumar correndo e seguir em frente. Não sem rumo, com rumo certo. Mas destino incerto.
Por enquanto... É isso...