são 5 horas da manhã... estou sem sono... aff...
o que o faz cantar tão alto? não sei se isso é um canto de desespero, talvez tenha perdido os filhos. parou. será que os achou? não. começou de novo. deve ser difícil pra ele acordar tão cedo assim e perceber que seus filhos sumiram, se for isso mesmo. mas só de acordar tão cedo já o faz um guerreiro, dentre tantos outros. deve estar frio lá fora, já é primavera, mas deve estar frio.
o dia vai amanhecendo devagar. deve ter gente indo trabalhar, gente parada no ponto de ônibus, de uniforme ou não, gente em alguma lanchonete comprando pão de queijo e cafézinho. bom. gosto de pão de queijo e cafézinho. tem gente dormindo em casa, quentinho. gente dormindo na rua, com frio. tem gente dormindo ao meu lado, marido. tem gente que está acordada, voltando pra casa, do trabalho ou da boate. quem volta do trabalho, volta cansado, quem volta da boate, volta chapado. deve ter muitos no fim de festa, no Bolão, no Mixido, no La Grepia. gente zanzando na rua, decepcionado com alguém, gente beijando na boca, amando como ninguém. deve ter gente vendo TV, aqueles programas que só se vê escondido, tudo proibido. ah! tem gente fazendo café, meu pai a essa hora já está de pé. tem gente dormindo pelado, vestido ou esfarrapado. marido e mulher dormindo abraçado, e outros tantos dormindo brigados. tem gente sonhando dormindo, tem gente sonhando acordado. e tem gente (eu) usando o teclado.
ele continua cantando, mas agora tem outros mais cantando com ele. já não é mais um canto de desespero, é um canto de bom dia, bom dia dos pássaros do arvoredo.
5h25... vou tentar cochilar de novo...
5h25... vou tentar cochilar de novo...
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